Como lidar com as finanças quando o rendimento é irregular

É um exercício desafiante saber lidar com as finanças, sejamos nós freelancers ou trabalhadores por conta de outrem.

Quando recebemos um ordenado fixo, sabemos exatamente qual o montante e o dia em que o salário entra na conta bancária, mas enquanto freelancer, trabalhar e receber podem ter ritmos diferentes.

Acontece também ter-se um mês excecional: vários pedidos de clientes, produtividade no máximo e aquela sensação que o negócio está finalmente a arrancar, mas de seguida instala-se um período de acalmia. E-mails de propostas que não chegam, pedidos que tardam e, claro, surgem as habituais fontes de insegurança.

Como vou pagar as contas deste mês? Será que vai ser sempre assim, tão incerto?

A instabilidade e a insegurança financeira acontecem, sobretudo para quem está a iniciar uma atividade como freelancer.

Neste artigo explicamos que é possível lidar com as finanças e alcançar a dose certa de tranquilidade quando o rendimento é irregular.

Dividir para conquistar

Criar contas distintas para lidar melhor com as finanças

Gerir um orçamento e controlar as despesas pessoais já de si exige disciplina. Imagina juntar a esta matemática, gastos relacionados com o próprio negócio. Facilmente pode instalar-se o caos financeiro.

Ter duas contas, uma pessoal e outra profissional, para lidar com as finanças de maneira controlada é uma estratégia aconselhada por freelancers que trabalham na área há já alguns anos e passaram pelas mesmas dificuldades.

Conta pessoal

Organizar uma transferência mensal para esta conta, destinada a pagar contas correntes e de lazer.

Opcionalmente, também pode ser criada uma conta pessoal poupança que é alimentada pelo excedente de cada mês. Acaba por funcionar como um fundo de emergência para situações extraordinárias – que acontecem sempre quando menos se está preparado.

Conta profissional

Os pagamentos dos clientes são feitos para esta conta. Devem também considerar-se despesas relacionadas com o negócio:

  • Impostos;
  • Investimento em desenvolvimento pessoal, tais como cursos ou livros;
  • Softwares e outras aplicações;
  • Sub-contratação de serviços.

Hoje em dia, diversos bancos online permitem abrir uma conta sem grandes burocracias ou despesas de manutenção e oferecem a possibilidade de criar contas em diferentes moedas, realizar e receber transferências de forma quase instantânea.

Ter um fundo de emergência e começar a poupar o quanto antes, alivia a tensão de lidar com as finanças quando os rendimentos são instáveis. Enquanto trabalhadores independentes ou freelancers, nunca é tarde para criar e fazer crescer uma poupança.

Mas, sabemos nós ao certo, quanto estamos a ganhar por mês?

Calcular os rendimentos

É imprescindível saber o valor das nossas receitas, ou pelo menos ter em mente uma média. Apesar dos rendimentos poderem ser variáveis, deve tentar-se realizar uma estimativa baseada nos últimos 6 a 12 meses. Este cálculo vai permitir também prever os impostos que serão cobrados.

Enquanto freelancer não existe uma entidade empregadora que faça os descontos do IRS e segurança social. Este trabalho recai sobre ti, portanto, o melhor é fazer uma previsão do montante que será exigido consoante a média de rendimentos.

Concede-te o direito a um salário

Leste bem. Um salário, tal como num emprego a tempo inteiro e com um empregador fixo.

Este é um aspeto importante, não só para lidar com as finanças, como também para o sentimento de recompensa e valorização do trabalho realizado. É uma questão motivacional necessária para o sucesso do trabalho de um freelancer.

Numa atividade deste género, tende-se a pensar que o total das verbas deve ser investido no negócio próprio. Sendo certo que é importante, é necessário valorizar o trabalho e o trabalhador, portanto, concede-te esse direito.

O montante do salário vai depender dos rendimentos e das despesas. O cálculo das despesas é um passo fundamental, porque vai determinar o dinheiro que o trabalho de freelancer deve gerar.

No início de atividade tende a ser mais baixo, porém, à medida que se conquistam clientes e estabelecem parcerias e contratos mais estáveis, é expetável que aumente, bem como a margem de lucro.

Neste ponto, surge outra questão, como calcular um orçamento que permita suportar rendimentos instáveis?

Calcular um orçamento para melhor lidar com as finanças

Ver o rendimento diminuído por perda de um cliente ou uma despesa extraordinária, por exemplo, com cuidados de saúde, pode fazer descarrilar o orçamento e colocar-te numa situação de sufoco.

A filosofia a adotar passa por poupar quando os rendimentos entram para salvaguardar os meses em que o dinheiro maioritariamente sai.

Criar um orçamento vai ajudar no esforço de poupança e a lidar com imprevistos. Para isso, podes utilizar uma aplicação como o Boonzi ou organizar o teu orçamento com o método 50/30/20. Este método pode ser utilizado para definir orçamentos, com o objetivo de alcançar alguma folga monetária:

  • 50% – Dinheiro líquido – após deduções fiscais – que será utilizado para pagar as despesas básicas e relacionadas com o negócio;
  • 30% – Luxos, isto é, coisas que desejamos, mas que na realidade, não precisamos;
  • 20% – Poupanças.

Caso se conclua que os rendimentos não chegam para pagar as despesas mensais, deve fazer-se uma reavaliação. Estuda o mercado, fala com outras pessoas que estejam na mesma área para perceber se estás a praticar os valores certos. Pode ser o momento de rever e atualizar preços.

Conclusão

A gestão financeira, por norma, não está no topo da lista de preferências de ninguém, mas também não precisa de ser encarada com tanto negativismo. Consome tempo e energia, porém, a liberdade que vem associada a um trabalho de freelancer tem os seus custos.

Nos meses em que o mercado está mais calmo e o trabalho não abunda, lidar com as finanças pode ser desafiante. Estas estratégias facilitam a gestão das receitas e despesas e conferem algum conforto financeiro.

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Rita Varandas Fraga

Escrevo em português, mas o meu dia a dia passa-se todo em francês. Vivo numa vila junto à fronteira com a Suíça há quase dois anos. Em Portugal, fui jornalista de informação e assistente de comunicação e marketing. Atualmente, produzo conteúdos para a web, como freelancer, e cada vez mais estou a encontrar o meu ponto de equilíbrio!

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