Economia Sustentável ou Economia Colaborativa: o que é?

Já ouviste falar de economia sustentável, economia colaborativa ou nova economia mas não fazes a mínima ideia do que é? Estes conceitos são relativamente novos e, para os novos empreendedores, podem significar uma grande oportunidade de sucesso.

A questão financeira é provavelmente a questão mais desafiante para qualquer empreendedor (digital ou não). Esta é até a questão que mais trava muitos aspirantes a empreendedores, impedindo-os frequentemente de darem o salto.

É aqui que surge a economia sustentável ou colaborativa.

O que é a economia sustentável?

Esta nova economia tem por base a colaboração, afastando-se da velha economia de competição. É por isso que é também chamada de economia colaborativa.

Na velha economia na qual eu e tu crescemos, baseamo-nos no tangível, no palpável, para avaliar os nossos resultados e o nosso sucesso. Ao vender um determinado número de um produto, ficamos sem esse mesmo número. É portanto a economia da escassez visto que “as coisas” se consomem com o uso.

Esta nova economia vem acrescentar um novo foco. Vem focar-se também no intangível como é o caso do conhecimento, da criatividade, da experiência ou da cultura. E o que temos vindo a perceber é que, ao contrário do tangível que se esgota com o consumo, o intangível multiplica-se com o uso.

É o que se passa quando escrevo este artigo: ao partilhar informação e conhecimento, eu não só não fico sem eles como eles são multiplicados por cada pessoa que os usará de forma única. Saímos assim de uma economia de escassez para uma economia de abundância.

O empreendedorismo nesta economia

Aos olhos da nova economia, para que um projeto empreendedor seja sustentável (e aqui, a sustentabilidade não é apenas financeira), ele precisa focar-se nos dois eixos: o tangível e o intangível.

O tangível diz respeito a duas principais dimensões: a ambiental e a financeira.

Dimensão ambiental

A dimensão ambiental tem a ver com a infraestrutura de que preciso para trabalhar (espaço físico, material necessário, etc) e a nova economia dá-lhe o nome de economia partilhada. Porquê? Porque vamos partilhar espaços (como é o caso dos espaços de coworking), materiais, uma conexão à internet e por aí fora!

- Anúncio -

Dimensão financeira

A dimensão financeira ganha também uma outra denominação: economia multimoeda. Qualquer serviço prestado ou produto vendido tem um valor que ultrapassa o mero valor financeiro. Tem valor social, emocional, cultural… e todo esse valor é tido em conta.

O eixo do intangível diz respeito a duas outras dimensões: a social e a cultural.

Dimensão Social

A dimensão social é chamada de economia colaborativa. Nesta dimensão, todas as partes (pessoas, empreendedores, empresas, projetos…) colaboram entre si através da contribuição com o que cada um tem de melhor para oferecer. O resultado é que todos os que colaboram, ganham ou seja, “todos fazem, todos ganham”.

Dimensão cultural

A dimensão cultural é chamada de economia criativa porque assenta no princípio da inovação, do criar algo que ainda não existe.

Esta economia sustentável resume-se a esta fórmula:

Nova Economia = Economia Partilhada + Economia Multimoeda + Economia Colaborativa + Economia Criativa

Como aplicá-la na prática?

A questão que se coloca agora é: como posso aplicar na prática esta economia sustentável? Este é um novo desafio para os empreendedores (ou empreendedores to-be). É que nós sabemos muito pouco sobre como colaborar.

Fomos de tal forma formatados para competir que quando pensamos em colaborar, não sabemos como fazê-lo. Transformar os nossos concorrentes em parceiros chega até a dar medo, porque na nossa mentalidade de escassez, se partilharmos vitórias, vamos perder com isso (ou ganhar menos do que ganharíamos sem essa colaboração).

Eis alguns exemplos do início da materialização dos princípios desta economia sustentável ou nova economia:

  • Espaços de coworking: onde existe uma partilha de infraestruturas, materiais e custos;
  • Parcerias entre agências imobiliárias “concorrentes”: onde existe uma partilha de bancos de clientes;
  • Trocas de bens e/ou de serviços: onde o pagamento se baseia em troca de valor não exclusivamente financeiro;
  • Parcerias entre bloggers e youtubers: onde a participação de bloggers e youtubers “concorrentes” vem acrescentar um novo público.

Existem muitas outras formas de viver esta nova economia na prática. Para lá chegarmos, precisamos redescobrir a nossa criatividade e sair da mentalidade formatada de competição.

Como saber mais em Portugal?

Em Portugal, o Instituto de Empreendedorismo Social (IES) oferece diversas formações com o objetivo de expandir a fronteira de conhecimento no domínio da inovação e empreendedorismo social.

Também a Agência de Empreendedores Sociais (SEA) oferece formação (entre vários outros campos de ação) sempre com a missão de apoiar o desenvolvimento de projetos de empreendedorismo social que contribuam para a sustentabilidade social, económica, cultural e ambiental.

O Virgílio Varela é uma referência nacional (e internacional) neste tema. Ele oferece formações diversas e serviços de consultoria nesta área.

E não posso deixar de referir Lala Deheinzelia, pioneira em economia criativa e colaborativa com quem tenho aprendido muito sobre o assunto e sobre os desafios da materialização desta nova economia.

Conclusão

Enquanto empreendedora, eu vejo na economia sustentável como uma oportunidade de viver o trabalho que eu amo de uma forma sustentável não só para mim e para a minha família, mas também para as pessoas que eu apoio nos meus acompanhamentos e para o mundo.

Continuo a explorar formas de viver esta economia colaborativa na minha prática profissional diária. Tenho percebido que facilitar o acesso das pessoas aos meus serviços, seja através de trocas de bens, de serviços ou de pagamentos faseados, permite:

  • enriquece a pessoa que eu apoio (que tem a possibilidade de aceder a algo que de outra forma não conseguiria),
  • enriquece-me a mim (que ganho em experiência, conhecimento, realização, satisfação, dinheiro e bens – se estes estiverem envolvidos na troca – entre tantos outros ganhos…) e
  • enriquece o mundo (nomeadamente através de bens materiais que são reutilizados quando existe uma troca de bens)

Tenho também percebido que trabalhar em parceria com outras pessoas, entidades e projetos é enriquecedor para todas as partes. Isso é ainda mais para o cliente a quem passamos a prestar um serviço ou a vender um produto com um valor acrescentado (e falo aqui de um valor que não é de todo financeiro).

- Anúncio -

O desafio permanece em perceber como podemos colaborar e criar juntos, afastando-nos do tal medo de “perder para a concorrência”. Às vezes a intenção está lá, mas ainda não sabemos muito bem como materializá-la e o próprio sistema legislativo em que nos encontramos inseridos não tem ainda uma resposta para certas iniciativas criativas.

Sinto que precisamos de aprender a colaborar e isso requer tentativa e erro. Não existem respostas únicas… existe sim um mar de possibilidades que devemos (e precisamos) de explorar se queremos empreender de forma sustentável.

- Anúncio -

Outros Posts

Subscreve a Newsletter Gratuita

Preenche o formulário para subscreveres a newsletter gratuita do Nomadismo Digital Portugal e recebe conteúdos exclusivos e todas as novidades em primeira mão!