Como saber se devo ou não deixar o meu trabalho?

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deixar o meu trabalho

Muitos dos meus clientes chegam até mim com o desejo de mudarem as suas vidas profissionais. Uma grande parte deles chega com algum desespero, pretendendo uma mudança algo radical. Alguns questionam logo se “devo ou não deixar o meu trabalho”? E eu percebo, a sério que percebo!

Enquanto trabalhava como Fisioterapeuta no meu antigo trabalho e ao longo dos meus oito anos daquela profissão, eu desejei muitas vezes, em silêncio, simplesmente deixar o meu trabalho. Sem pensar demasiado nas consequências, sem ter um segundo plano… simplesmente sair.

Pelas mais diversas razões eu não o fiz e ainda bem! Isto porque na altura eu tinha pouca clareza em relação àquilo que era, de fato, importante para mim ou seja, os meus valores.

Tem clareza em relação aos teus valores

“Valor” é a importância que se atribui a algo ou alguém. Do ponto de vista ético, “valor” é um princípio moral passível de orientar a acção humana. Basicamente, os nossos valores são como o destino que introduzimos no nosso GPS.

Se não tivermos clareza em relação a esse destino, como é que o GPS nos poderá guiar? Como escreveu Lauro Trevisan em “O poder infinito da sua mente”, se apanharmos um táxi e não dissermos ao motorista onde desejamos ir, ele não poderá levar-nos a lugar nenhum!

Assim, eu inicio com esses clientes uma reflexão profunda sobre os seus valores relativos ao trabalho. Costumo dizer que os ajudo a relembrarem-se dos seus valores. Acredito que nós sempre saibamos que valores são esses, apenas estamos desconectados, esquecidos.

O objetivo é, em primeiro lugar, evitar qualquer mudança radical que, embora muito desejada, possa ser infrutífera e colocar o meu cliente numa situação futura pouco ou nada ecológica para ele.

Em segundo lugar, este trabalho profundo sobre os valores permite ao cliente relembrar aquilo que é importante para que ele se sinta feliz e realizado num trabalho. Assim, com maior clareza, ele verá as suas escolhas mais facilitadas e/ou saberá melhor que tipo de trabalho quererá construir para si.

Reflete sobre os teus trabalhos anteriores

O que mais gostavas? O que gostavas menos? Porque deixas-te esse trabalho?

Para responder à questão de se “devo ou não deixar o meu trabalho”, tento trabalhar a questão dos valores. Existem diversos exercícios que faço com os meus clientes afim de relembrarmos os seus valores.

Um dos exercícios mais reveladores é o de analisar cada um dos trabalhos que tiveram no passado e identificar três coisas que apreciavam nesse trabalho, três coisas que não gostavam assim tanto e o motivo pelo qual deixaram esse mesmo trabalho.

Tive clientes que, através deste exercício, perceberam por exemplo que, ainda que gostassem muito do trabalho que faziam, não se sentiam realizados se não tivessem presente a componente do desafio.

Outros clientes perceberam que não conseguiam trabalhar num meio que não correspondesse ao valor que tinham de honestidade.

Outros perceberam ainda que precisavam de sentir que contribuíam para a vida dos outros de uma forma que eles consideravam valiosa.

A resposta à questão de se “devo deixar o meu trabalho”, torna-se assim melhor analisada e ponderada.

“Devo deixar o meu trabalho?”

No meu próprio processo, percebi que o que mais contribuía para a minha insatisfação no meu antigo trabalho era a falta de liberdade. A liberdade revelou-se o meu valor número um (e aqui é importante perceber que o que liberdade significa para mim, pode muito bem ser diferente do conceito de liberdade para outra pessoa qualquer).

Para mim, a minha liberdade era restringida sempre que me via “obrigada” a desempenhar tarefas quando na realidade me apetecia fazer outra coisa totalmente diferente, quando era obrigada a cumprir horários que não respeitavam as minhas necessidades naturais, quando não tinha espaço para poder exprimir a minha criatividade ou exercer os meus maiores talentos ou quando não sentia que estava de fato a ter um verdadeiro impacto na vida dos outros.

Sentia também que a minha liberdade era afetada na medida em que aquele trabalho não me permitia viver o estilo de vida que eu queria viver, um estilo de vida mais calmo, em harmonia com o meu próprio ritmo.

Percebi também que o valor da estabilidade financeira aparecia no fim da minha lista de valores ou seja, sendo algo importante, não era de todo das coisas que eu mais precisava para me sentir feliz e realizada no meu trabalho.

Importância dos valores

Relembrar tudo isto foi importante para mim por diferentes razões:

  • Percebi finalmente o porquê de me sentir insatisfeita com o meu trabalho naquela altura. Foi uma forma de legitimar a minha insatisfação pois percebi que não se tratava de mero capricho meu. De repente deixei de me auto-intitular de “eterna insatisfeita” pois percebi que nunca me poderia sentir feliz vivendo em desalinho com os meus valores.
  • Percebi que o meu futuro trabalho passaria muito provavelmente por um caminho independente de empreendedor pois só dessa forma o meu valor de liberdade poderia ser correspondido.
  • O fato de o valor da estabilidade financeira aparecer no final da minha lista de valores apoiava a ideia de que a ausência de um salário fixo inerente a um trabalho independente era algo com o qual eu viveria bem e que não afectaria a minha satisfação profissional.

O fato de ter agora mais clareza em relação ao destino que queria introduzir no meu GPS, permitiu-me permanecer naquele meu trabalho de Fisioterapeuta por mais alguns anos, evitando assim um despedimento radical que me teria colocado numa situação insustentável.

Eu tinha agora um plano paralelo! Esse plano dava-me a motivação necessária para aguentar, por um determinado período de tempo, o meu antigo trabalho. Não precisei de deixar o meu trabalho de forma imediata.

Comecei assim a preparar o meu futuro trabalho de Coach. Sabia que esse trabalho me iria proporcionar a liberdade que eu tanto almejava. Iria permitir-me viver alinhada com uma série de outros valores importantes para a minha felicidade. Alguns exemplos, o valor da variedade isto é, poder dedicar-me a tarefas totalmente diferentes ao longo do dia; dar aulas de dança; realizar sessões de coaching; escrever; criar vídeos, etc.

Trabalhar a partir de casa

Hoje, trabalho a partir de casa, o que foi durante tantos anos o meu sonho.

  • Os meus horários são definidos por mim. Já não me levanto estressada para tomar o pequeno-almoço rápido. Ou para ir apanhar os transportes públicos para ir para o trabalho.
  • Sou eu quem determina as tarefas que desempenho e quando as desempenho.
  • Os meus dias são hoje passados a fazer maioritariamente coisas que amo e que sei que terão um impacto positivo na vida dos outros.

Este meu novo estilo de vida. Permite-me aliar de forma mais harmoniosa a minha vida pessoal com a minha vida profissional. Para além que agora, enquanto mãe, esse valor é ainda mais importante para a minha felicidade!

Também tu te questionas em relação ao teu atual trabalho? Tal como eu, há uns anos atrás, te questionas se “devo ou não deixar o meu trabalho”? Ou tens um projeto que gostarias de trazer para a realidade? Se tens algumas dúvidas se essa mudança te trará satisfação e realização profissional, relembrares os teus valores é um trabalho indispensável. Só assim obterás a clareza de que precisas para tomares uma decisão e operar uma mudança efetiva na tua vida.

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