Produto digital: como criar um infoproduto em Portugal

Produto Digital em Portugal

Em Portugal, a expressão “ganhar dinheiro online” é pesquisada, em média, 3 mil vezes por mês. Muita gente procura formas rápidas, pontuais e até bem duvidosas de ganhar dinheiro na internet. Muitas não sabem que, com uma boa estratégia, com trabalho e entrega, podem criar um produto digital (chamado também infoproduto) e pôr o conhecimento que já têm ao dispôr de mais pessoas.

O que é um infoproduto ou produto digital?

Um produto digital ou infoproduto é um produto digital sobre alguma temática ou tema. Infoproduto é, na realidade, a contração de duas palavras: informação e produto, o que resume bem o que é um produto digital.

Os produtos digitais são assim formas de aceder a um conhecimento ou conteúdo através de um formato online.

Exemplos de infoprodutos são livros digitais (ebooks), cursos online em que as aulas podem ser em formato vídeo, áudio ou texto, conjunto de fotografias, documentos e muito mais.

Como criar um produto digital em Portugal?

Criei o meu produto digital em 2016. O eBook Como Ser Freelancer foi o primeiro produto que fiz, e o primeiro associado ao Nomadismo Digital Portugal.

Desde esse ano, já ajudei a criar mais de vinte produtos digitais em Portugal para clientes, no âmbito do meu trabalho enquanto freelancer, e o Nomadismo Digital Portugal já conta hoje com mais três produtos digitais para além do eBook:

Os quatro produtos digitais do Nomadismo são focados no público português e para o mercado português.

Quanto dinheiro ganho com um infoproduto em Portugal?

No mês de Setembro, organizei um workshop online de um dia. Juntamente com os quatro produtos digitais, estes cinco produtos digitais (sim, a organização de um workshop online é também um produto digital), recebi 2984,67€.

Nos meses em que não realizo workshops online, recebo de forma passiva, pelo menos 2000€ mensais, com os quatro produtos digitais acima indicados.

O curso online foi lançado em maio e, na fase de lançamento, em que tinha feito um preço mais baixo, o curso rendeu-me só nessas duas semanas de pré-lançamento, dez mil euros.

Se para alguns países isto é pouco, para um contexto português, com produtos que não são baratos (afinal, eu quero vender valor para quem está pronto para o consumir e aplicar e não apenas massificar o meu conhecimento), não acho que sejam valor negligenciáveis, sobretudo porque trabalho com uma temática de nicho.

Mesmo trabalhando ainda como freelancer, esta renda passiva dá para sobreviver.

Mas a verdade é que para criar e lançar um produto digital em Portugal, é preciso ter alguma atenção na forma como o fazemos.

Como criar um produto digital?

Uma das dificuldades que senti quando comecei a trabalhar com produtos e conteúdos digitais em Portugal, foi a adaptação da teoria e informação que adquiri de aprendizagens no estrangeiro.

A cultura, a conjuntura e o contexto são aspetos muito importantes para termos sucesso a criar e vender produtos digitais. O facto de aprendermos com profissionais estrangeiros “fórmulas” de lançamento de infoprodutos, não faz com que esses conteúdos sejam inúteis: faz com que os tenhamos que adaptar ao nosso país.

Existe conteúdo educacional de altíssima qualidade sobre produtos digitais no estrangeiro, com números impressionantes, mas temos que aprender a técnica e conseguir aplicá-la de forma adaptada à nossa realidade. As técnicas que os profissionais americanos ou brasileiros usam são as mesmas, mas as aplicações das mesmas bem diferentes.

Uma coisa que muitas pessoas esquecem quando consomem conteúdo que lhes prometem “enriquecer criando infoprodutos” é que não basta criar um produto para vender.

Nem vou falar da qualidade do mesmo – que isso é deve ser ponto assente: o teu produto deve ter qualidade e deve entregar valor para quem o adquire –, mas sobretudo da distribuição e da estratégia de venda.

Tu até podes criar o melhor produto digital; se ninguém o conhecer, ninguém o vai comprar.

E aqui é que entra a parte de adaptar as técnicas de marketing ao país e cultura: o consumidor português não se comporta da mesma forma que o consumidor americano.

Como vender um infoproduto em Portugal

Quando lancei o eBook Como Ser Freelancer, tentei aplicar as técnicas de marketing que tinha aprendido com americanos. Foram banners, foram e-mails diários a anunciar o fecho do “carrinho” (quando foi a fase de pré-lançamento), foram anúncios em redes sociais.

Não funcionou. Aliás, lembro-me de ter sofrido com a perda de alguns subscritores na newsletter. Mesmo esse público que se tinha dado ao trabalho de subscrever para saber mais sobre o meu projeto, estava a fugir.

Com o tempo, e com a experiência, fui percebendo: estas técnicas comerciais funcionam sobretudo quando tens um público bem quente pelos teus produtos e quando te posicionas de forma prévia como um vendedor.

No meu caso, sou uma produtora de conteúdo. Tinha que associar o eBook a uma necessidade que o meu público tinha – tinha que falar mais na primeira pessoa, tinha que falar mais do valor que as pessoas recebem com a leitura e que podem aplicar, e tinha que acompanhar a pessoa enquanto ela passava pela fase de atração, pela fase de consideração até à fase de conversão.

Tinha que tratar a pessoa como um consumidor que compara, que pondera e que pensa antes de comprar.

Não te vou esconder: não é fácil vender para portugueses que estão a dar agora os primeiros passos no digital e a entender o potencial do online como acesso a informação e conhecimento.

Mas estamos na fase ideal para investir na criação de conteúdo que educa. Se te posicionares agora como produtor de conteúdo de valor, acredita que vais fazer parte de um grupo privilegiado de pessoas reconhecidas no digital.

O mercados dos produtos digitais é um dos mercados que mais dinheiro e rendimento passivo gera. E acredito que assim vai continuar.

No entanto, ainda existe muita gente que perde tempo a criar um infoproduto, investindo por vezes dinheiro nesse mesmo produto sem estudar o mercado e ter a certeza que o produto é realmente viável.

Passo a passo para criares um produto digital

Objetivo para o produto

Define um objetivo claro para o teu produto digital.

Qual é o objetivo que queres alcançar com ele? Educar as pessoas? Aumentar a tua notoriedade e reputação numa determinada área? Preparar as pessoas para um serviço?

Objetivo do produto

Define que objetivo queres que tenha o conteúdo propriamente dito.

O que queres que as pessoas retirem desse conteúdo? Que ação queres que tenham depois de o consumirem? Que mudança queres ajudar a criar com este produto digital?

Momento da audiência

Pensa em que momento está a audiência que queres atingir com este produto digital.

Quais são as suas necessidades, problemas e questões?

Se já tens alguma ligação com o teu público-alvo, quer seja através de um blog, site ou comunidade online, tenta perceber pelo tipo de perguntas, pelos artigos mais partilhados e pelo conteúdo das conversas quais são os maiores problemas e necessidades.

Procura temas aos quais consegues dar respostas e ajudar. Isso vai dar-te ideias para criares um produto digital que responda a perguntas que as pessoas já têm.

Não precisas de ser o melhor para criar um produto digital ou um infoproduto: basta saberes um pouco mais do que a maioria das pessoas. Qualquer conhecimento que tenhas a mais do que a maioria, é um conhecimento desejado e monetizável!

Procurar padrões e valida a tua ideia

Não fiques pela satisfação de saber que podes ajudar algumas pessoas: isso não é suficiente. É preciso que valides a tua ideia em mais pessoas.

Lê blogs, artigos e conversas sobre o tema que queres explorar para perceberes realmente se há uma procura e define as perguntas e problemas que podes responder e resolver.

Não passes essa “investigação” e análise de mercado à frente.

Validar um produto digital é o mesmo que acontece nas séries de televisão. O primeiro episódio é quase sempre um “piloto”, ou seja um teste.

O objetivo é tentar perceber se o público gosta e que tipo de comentários, opinões e sugestões surgem em reação a esse episódio piloto.

Criares um “produto piloto” permite-te perceber se o teu produto digital pode ter realmente sucesso. Se esse produto-teste não despertar curiosidade, sabes que tens que passar por um processo de reestruturação do produto.

Como testar o teu produto digital?

A melhor forma de testares o teu infoproduto é respondendo a perguntas com conteúdo que esteja diretamente relacionado com o teu produto digital.

Responder ao teu público não implica só responderes diretamente às perguntas quando elas te são colocadas, mas também fomentares conversa e tentares antecipar problemas.

Como fazer isso? Usando a técnica mais utilizada no marketing de conteúdo: criar conteúdo gratuito.

Criares conteúdo gratuito aumenta o interesse do teu público pelo tema em questão e fomenta conversa à volta do mesmo.

Vamos imaginar que queres lançar um eBook sobre “Design para iniciantes”.

Podes criar artigos com exercícios ou desafios ligados ao design. Ou artigos com pequenos tutoriais de design. Cria, no fundo, conteúdo que ajude esse tipo de público.

Isso faz com que fiques visto como alguém que tem autoridade e conhecimento para ajudar nesta área. Mas também vai permitir-te conquistares automaticamente público que pode vir realmente a comprar o teu livro.

Sempre que existe conteúdo útil disponibilizado gratuitamente, existe mais partilha pelos utilizadores. Graças a essas partilhas, existe troca de comentários e mensagens. Assim, conseguirás perceber se o teu infoproduto pode ter realmente sucesso ou não.

Cria iscas digitais

O teu conteúdo gratuito pode ser aquilo que se chama de isca digital.

Vai “largando”, ao longo dos teus conteúdos, a promessa do teu produto digital.

Isso vai aumentar a curiosidade do teu público em relação ao teu produto final. Crias conteúdo gratuito de qualidade e que interessa as pessoas? O teu público vai querer ter o teu produto pago.

É a “velha máxima” de que se o gratuito é bom, o pago deve ser ainda melhor!

Formato

Chegou a fase em que tens que pensar qual é o formato.

Qual é o formato que permite que a informação do teu conteúdo passe melhor? Qual é o formato no qual tu te sentes confortável de oferecer?

Conteúdos educacionais que precisem de um acompanhamento mais pessoal, passam muito bem em vídeo pois a imagem permite uma conexão emocional.

Conteúdos mais práticos, que envolvam exercícios e memorização de técnicas, passam melhor por escrito, sejam num formato eBook ou outro documento escrito.

Pensa: se fosses consumir este tipo de conteúdo, em que formato te faria mais sentido fazê-lo?

Criar

A parte da criação vai depender do formato em que fizeres o teu produto digital.

Para escrever texto, podes fazê-lo diretamente no teu editor de texto e exportar o documento em PDF. Podes também usar o Canva, que é gratuito e tem formatos de livros digitais e documentos prontos a editar, e permite também a exportação em PDF.

Para gravar vídeo, podes usar programas nativos com o QuickTime, ou programas um pouco mais complexos como o OBS.

Vender

A parte de venda também vai depender do formato, mas também da estratégia que planeias organizar à volta do teu produto e posicionamento.

Podes criar gratuitamente uma loja no WooCommerce se tiveres já um site em WordPress. Ou podes usar a plataforma Hotmart que permite gratuitamente colocares à venda produtos digitais.

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