Como transformar crenças limitantes em crenças impulsionadoras

No artigo anterior, depois de partilhar contigo como as nossas convicções cocriam a nossa realidade, deixei-te com uma questão que vale um milhão: como substituir as nossas crenças limitantes por crenças impulsionadoras?

A esta questão, respondo-te hoje com uma outra: em que é que tu precisas de acreditar para teres a vida profissional que desejas?

No meu próprio processo de transformação profissional (em que deixei para trás uma carreira de oito anos para recomeçar do zero), eu respondi a essa mesma pergunta da seguinte forma: eu mereço um trabalho que me faça sentir feliz e realizada, eu mereço acordar todos os dias bem-disposta, cheia de energia e motivação, eu mereço um trabalho em que eu não dê pelo tempo passar, eu mereço um trabalho que não pareça trabalho e que ainda assim me permita sustentar-me financeiramente.

Eu sabia que, para chegar onde queria chegar e viver a vida profissional com que sonhava, eu precisava de acreditar em tudo isto. Porém, na realidade, eu acreditava em todo o oposto.

Como fazer então para acreditar numa coisa na qual não acreditamos? E aqui surgem uma boa e uma má notícia.

Como mudar as nossas crenças limitantes

A má notícia (comecemos pelo pior!) é que vários autores defendem que apenas mudamos uma crença se a dor que ela nos causar for suficientemente forte. É do género: se colocarem o teu dedo em cima da chama de uma vela, qual será a tua ação? Tirar imediatamente o dedo, certo? Isso acontece porque a dor é insuportável. Porém, se pegarem no teu dedo e o passarem por cima de uma escova de aço, a sensação poderá não ser muito agradável mas provavelmente suportarás o desconforto.

Ora é a mesma coisa com as crenças limitantes. Se elas apenas te causarem um ligeiro desconforto, o mais certo é habituares-te a ele e permaneceres no mesmo sítio de sempre.

A boa notícia é que não precisa ser realmente assim e tu não precisas de passar por uma dor ou sofrimento insuportáveis para mudares. Existem técnicas que utilizamos no Coaching que nos permitem experimentar “virtualmente” essa dor, impelindo-nos assim a mudar a crença que nos está a limitar.

Qual é o teu pior cenário?

Essas técnicas passam por imaginarmos o pior cenário que poderá acontecer no futuro se continuarmos a acreditar no que acreditamos e portanto a agir da forma como agimos.

Quando fiz esse exercício, percebi que se continuasse a acreditar em todas as minhas crenças limitantes, o mais provável seria cair em depressão profunda, ser internada para tratamento médico, perder o meu trabalho, ser uma perdedora aos olhos da minha família e amigos e ter que recomeçar a minha vida do zero. Imaginar-me um falhanço total foi tão doloroso para mim (na altura já estava a passar por um esgotamento crónico) que foi o suficiente para me fazer acreditar em muitas crenças impulsionadoras. Para mim, naquela altura, mudar foi praticamente uma questão de vida ou de morte.

Se eu queria sobreviver, eu precisava de mudar! Quase como aquelas pessoas sem crenças religiosas ou espirituais que, num momento de desespero, encontram a fé.

Qual é a exceção?

Uma outra forma de abandonares as tuas crenças é procurares a exceção. Procura um exemplo que contraria as crenças que te estão a limitar. Se tu acreditas, por exemplo, que não vais ser bem-sucedido na tua mudança profissional, procura um exemplo do teu passado onde tenhas sido bem-sucedido em alguma mudança que realizaste.

Eu tenho a certeza de que já conseguiste realizar mudanças na tua vida, mais que não sejam pequenas mudanças, mas se ainda assim te for difícil encontrares um exemplo, podes procurar pessoas que contrariem a crença que queres eliminar.

No meu próprio processo de transformação profissional, comecei a procurar por pessoas que vivem a fazer algo que amam realmente e que são bem-sucedidas financeiramente. Assim, aos poucos e poucos, fui ficando deveras convencida de que a minha vida profissional podia ser muito diferente daquela que eu vivia na altura.

Henry Ford disse melhor do que eu. “Quer acredites que consegues ou que não consegues, em qualquer dos casos, estás certo”.

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Este post foi modificado a 06/07/2019 23:50

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Sofia de Assunção

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