Eu defendo a ideia de que o nosso trabalho deve ser criado à medida da nossa vida e não o contrário. Dessa forma, trabalhar de forma remota a partir de casa tem-me permitido viver a maternidade a 100% ou melhor, a 1000%.

Ainda que seja uma muito recém-mãe (a minha cria está a caminho dos três meses), apercebo-me de que o meu trabalho me permite e permitirá passar muito mais tempo com a minha cria do que a maioria das mães terá alguma vez a possibilidade.

É maravilhoso presenciar cada conquista do meu pequeno. Nesta fase são os primeiros sorrisos, quando a visão se torna mais clara. Depois, são os sons que começa a produzir.

A seguir, as mãozinhas que começam a querer tocar e alcançar. E sei que daqui para a frente haverão muitas outras conquistas que terei a oportunidade de ver em primeira mão.

Tudo isso graças a esta escolha que fiz de poder trabalhar a partir de casa.

Porém, não me interpretem como se tudo fosse lindo e maravilhoso. Esta conjugação entre maternidade e trabalho tem sido um ENORME desafio para mim. Tem sido um enorme trabalho em deixar-me fluir com a vida já que quem comanda as minhas prioridades é o meu pequeno.

o início, tentava manter-me firme no planeamento do meu dia com todas as tarefas de trabalho que tinha para fazer mas rapidamente percebi que não era mais eu quem ditava as regras.

Neste momento, por exemplo, escrevo este artigo enquanto a minha cria dorme. Por quanto tempo? Não sei. É bem provável que a qualquer momento uma destas linhas fique a meio porque ele chama por mim…o mesmo acontece quando gravo os meus vídeos.

Aproveito as horas das sestas (que nesta fase ainda são muito irregulares) para poder gravar. E como a tarefa é difícil, aproveito e gravo logo três ou quatro vídeos de uma vez com as mudanças de roupa, maquilhagem e penteado que isso exige. É uma correria, na tentativa de poder fazer tudo antes de ele acordar!

Já os meus atendimentos de coaching estão agora limitados aos momentos em que o pai está presente. Assim, enquanto ele se ocupa do nosso bebé, eu atendo os meus clientes via skype.

É assim um desafio para o casal, que precisa organizar-se de forma a conciliar a parentalidade com o trabalho remoto a partir de casa, sem nunca negligenciar a vida de casal no meio de tudo isto.

Sem falar de todas as tarefas domésticas. Sim, porque quando uma mulher, seja mãe ou não, trabalha a partir de casa, espera (-se) dela que a casa esteja sempre imaculadamente limpa e arrumada, que a roupa esteja passada a ferro e que os cozinhados estejam sempre deliciosos e prontos a tempo e horas.

Não é apenas a sociedade, somos nós mesmas, mulheres, quem exige demasiado de nós! Se estivéssemos a trabalhar fora de casa, nunca exigiríamos tanta coisa de nós mesmas, mas este é um assunto que dava pano para mangas…

Tenho aprendido a aceitar as coisas como elas são. Existem dias em que não consigo produzir absolutamente nada porque ele absorve todo o meu tempo e atenção. E se a minha tendência natural é sentir-me frustrada com isso, agora digo para mim mesma para não resistir ao que é, para aceitar que, por agora, é assim. Tento estar o mais presente que me for possível para ele, porque isso é de fato mais importante para mim do que qualquer outra coisa na vida.

Se é fácil? Se é fácil sentir que muitas outras coisas ficam para trás? Que muitas ideias terão que esperar por o tempo oportuno? Não, de todo. Mas, como gosto de dizer, também isto passará e chegará o dia em que terei saudades destes momentos em que eu era o tudo para ele! (tenho que ir, ele chama-me).

(1h30 depois estou de regresso)

Há uns anos atrás, lembro-me de ter dito a uma amiga que nunca poderia ser uma daquelas mulheres que fica em casa a tomar conta dos filhos. Hoje, tais palavras magoam-me; como se ficar em casa a tomar conta dos filhos fosse algo de menor valor que ter filhos e trabalhar fora de casa!

E embora eu seja alguém que precise de desafios profissionais para me sentir equilibrada, hoje não faz mais sentido para mim ter um filho e ser outra pessoa a cuidar dele por mim.

Sei que a minha vida de mãe a trabalhar de forma remota a partir de casa não será sempre assim. Sei que chegará uma altura em que terei que partilhar o cuidado e educação da minha cria com outras pessoas, não só para que eu possa avançar de forma mais rápida sobre as minhas tarefas profissionais mas também para que ele possa sair de baixo da minha asa e enfrentar o mundo lá de fora.

Sei porém que esta forma de trabalho que eu desenhei para mim me permitirá sempre estar mais presente e participar mais na educação do meu filho do que se trabalhasse de forma tradicional, num emprego das nove às cinco.

E isso para mim é importante porque a família que eu criei é, para mim, um dos meus principais valores.