Como encontrar a tua área profissional e serviços?

 In Empreendedorismo, Negócios Online, Ser Freelancer, Trabalhar Remotamente

Encontrar a área certa e saber como iniciá-la é provavelmente o maior desafio da carreira de um freelancer. Muitos acham que a maior dificuldade de ser freelancer é encontrar clientes, perceber como trabalhar mais e melhor e ser mais produtivo ou até manter esse trabalho para sempre.

Eu cá acho que a maior dificuldade de ser freelancer todas é o início.

Para ajudar nesse processo, este post vai ajudar-te a encontrar passo-a-passo a tua atividade enquanto freelancer.

Antes de mergulhares na leitura deste artigo, começa por fazer o download do workbook que preparei para ti. Vais encontrar exercícios para complementar às informações deste artigo, ajudando-te a evoluir mais rapidamente nesta jornada:

 

 

O início é mesmo o mais difícil

E porque é que eu digo isto?

Porque mesmo quando sabemos o que é que gostamos de fazer e no que gostamos de trabalhar, não é fácil dar o primeiro passo e dizer: “ok, eu quero ser freelancer e trabalhar a fazer isto”.

Posso falar nesta dificuldade na primeira pessoa. Eu estive num curso de Comunicação, sempre gostei de escrever e sabia que o que me faria feliz profissionalmente iria envolver comunicar por escrito.

Mas sabia lá, no (não tão longíquo) ano de 2014, que me iria tornar freelancer em marketing digital. Até porque nem sabia muito bem o que era o marketing digital na altura.

Para conhecer a área na qual trabalho hoje enquanto freelancer, foi preciso passar por dezenas de outras áreas, por várias desilusões, por muito tempo (e dinheiro) investido em vão para, no final, perceber que “a técnica” para saber como encontrar a área certa e iniciar uma carreira nela não era assim tão complicada.

Como encontrar a área certa?

Com o tempo, fui percebendo que não existe a área certa para ser freelancer.

Desiludido?

Não fiques! Pensa nisso como um leque ainda maior de possibilidades que te vão permitir ter sucesso.

Um freelancer tem a liberdade de trabalhar no que quiser, experimentar vários caminhos profissionais e, mesmo quando descobre a área na qual se sente mais confortável, continuar a fazer tarefas aqui e ali complemente diferentes.

Descobrir essa ou essas áreas exige esforço e um processo de auto-conhecimento que nem sempre é fácil nem imediato.

Vamos começar por pôr em cima da mesa duas ideias:

  1. toda a gente tem competências que podem ser transformadas numa atividade de freelancer, mas
  2. nem todas as profissões são possíveis de trabalhar como freelancer.

Se ao princípio estas duas afirmações até parecem iguais, na realidade não podiam ser mais diferentes.

Todas as pessoas têm competências que se podem transformar numa atividade para ser freelancer. Desenhar, programar, decorar, remodelar, falar, cantar, fotografar, escrever, ajudar, aconselhar, planear…tudo isto são competências que podem ser monetizáveis.

No entanto, existem profissões que dificilmente podem ser transformadas, de forma assim, imediata, numa atividade remota. Quem tem a profissão de vendedor de loja dificilmente pode ser freelancer…mas esse mesmo vendedor tem competências que podem ser transformadas num serviço!

Confuso? Vou tentar simplificar.

Profissões vs competências

Imagina que és cozinheiro para um restaurante italiano e estás cansado de trabalhar em restaurante, queres trabalhar em projetos desafiantes, com horários flexíveis e numa atividade controlada a cem por cento por ti. No entanto, esta sempre foi a tua profissão desde sempre e não sabes como transformá-la num trabalho remoto e ser freelancer.

Bom, má notícia: não vais conseguir.

No entanto, tens competências que podem ser facilmente associadas em serviços que podes prestar enquanto freelancer:

  • Podes dar aulas de cozinha via Skype
  • Podes criar receitas personalizadas para empresas ou pessoas individuais
  • Podes definir planos de gestão para estabelecimentos
  • Podes avaliar estabelecimentos e criar um serviço de consultoria à volta dessa avaliação
  • Podes criar um blog de receitas e alimentação
  • Podes escrever conteúdos como ebooks sobre a cultura gastronómica italiana
  • etc, etc, etc.

Outro exemplo: trabalhas como secretário administrativo. Como deixar de trabalhar fisicamente em empresas e começar a trabalhar remotamente a partir de casa com as tuas competências?

Opções, mais uma vez, não faltam:

  • Podes ser assistente virtual para outros trabalhadores, empresários ou empresas
  • Podes dar sessões de consultoria e acompanhamento para pessoas que procuram organizar a vida (pessoal, familiar e profissional) via Skype
  • Podes fornecer serviços de gestão de contas, compras, marcações,…
  • Podes criar um serviço de organização e gestão de eventos
  • etc, etc, etc

Vá, e como último exemplo: o tal vendedor de loja! Um vendedor de loja dificilmente pode continuar a trabalhar como vendedor de loja física estando em casa ou na Tailândia…mas têm dezenas de opções para aproveitar as competências profissionais que tem:

  • Criar uma loja online e geri-la remotamente
  • Trabalhar como consultor para lojas online
  • Fazer suporte comercial para empresas
  • Ajudar na criação estratégica de lojas
  • Avaliar lojas e prestar conselhos e opiniões estratégicas
  • etc, etc, etc

E estas ideias apareceram-me de forma imediata, sem ter investido muito tempo para pensar muito nelas.

Qual o primeiro passo?

O primeiro passo para ser freelancer e perceberes o que é que podes fazer para ganhar dinheiro, é responderes às seguintes perguntas:

  • Que competências profissionais tens? e
  • Como é que elas podem ser transformadas e associadas a um serviço útil e que possa ser realizado online?

Dentro da mesma área de atuação, podes ter um leque variadíssimo de serviços. Ofereceres vários tipos de serviços permite ser um freelancer variado, polivalente e com mais oportunidades profissionais à tua frente!

Ahh, isso exige muito trabalho…

Eu bem disse que o início era o mais difícil.

A importância do brainstorming

Um conselho para agilizares toda a tua carreira desde o início (e não estares mais de um ano a fazeres demasiadas coisas que não gostas como alguém que conheço ~~euu~~), é parares agora durante algumas horas ou dias e fazeres uma lista de todas as ideias que te vêem à mente sobre esta fase.

Para te ajudar, descarrega o documento criado especialmente para esta publicação. Nele encontrarás uma checklist que resume todos os passos a seguir. Teres todas essas informações organizadas ajuda-te a que não te percas (a ti e ao tempo).

Para além da checklist, podes também perceber melhor qual é a diferença entre competência e área de atuação e porque é que, na minha opinião pessoal, convém concentrares-te (de cada vez) em uma ou poucas áreas de atuação:

Como já vimos, cada área implica várias e diferentes competências. Quanto mais focado em algo preciso estiveres, maior será a tua probabilidade de sucesso!

Este exercício de brainstorming e auto-conhecimento vai ajudar-te a perceber o que sabes e o que gostas de fazer. Isso é essencial para que comeces logo desde o início a tua carreira de freelancer especializando-te e posicionando-te numa área de atuação na qual te sentes bem.

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  • MP

    O artigo tem algumas boas dicas para quem se quer iniciar como freelancer, no entanto, parece-me que se confundem os conceitos de “freelancer” com “trabalho remoto”. Quase todas as profissões podem ser freelancers, ou seja trabalhadores independentes, incluindo os exemplos dados. No entanto, nem todas as profissões podem ser feitas remotamente, ou seja, à distancia, como também é dito.

    Felizmente, creio que este pormenor não invalidou a ideia central: pensarmos nas nossas competências e de que forma as podemos monetizar 🙂

    • Olá! Sem dúvida que é importante diferenciar freelancer e trabalho remoto. Falámos precisamente dessa importante diferenciação neste artigo: https://www.nomadismodigital.pt/teletrabalho-home-office/
      No entanto, pessoalmente, acredito que todas as profissões podem ser adaptadas ao trabalho remoto. O que nem sempre é possível, é que todas as atividades/tarefas presentes nessa profissão possam ser feitas remotamente. Ou seja, um cirugião pode trabalhar remotamente. O que não poderá fazer remotamente é cirurgias por exemplo. No entanto, o seu conhecimento e competência profissional podem ser adaptadas ao trabalho remoto através de apoio académico, criação de conteúdo monetizável (livros, cursos), consultorias individuais, apoio a hospitais a nível de logística, etc. O mesmo para um advogado: não poderá defender alguém de forma remota (pois tal exige presença no tribunal), mas pode fazer serviço de apoio remoto, consultoria jurídica, apoio e orientação, etc. É essa ideia que defendo neste artigo: o adaptar a profissião ao remoto e o pensar fora da caixa – e saber que nem tudo o que inclui uma profissão pode ser realmente feito à distância, como o leitor disse.

      Muito obrigado pelo teu comentário muito útil e que permitiu evidenciar este ponto muito importante que é a diferenciação entre trabalho remoto e profissão 🙂 Abraço nómada!

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